O vazio me despertou, logo de manhã, bem cedinho. A tal história do não pertencimento muitas vezes nos prega peças. Individualmente, a gente sabe do que a vida é capaz. E a gente, é capaz do que? Silenciosamente, as ideias dançaram sob a luz que atingia minha imagem de ‘possibilidades’. Você nunca me falou o contrário, nem o exato, nem o oposto da unilateralidade.
Pois bem, aqui tiro minhas conclusões. Esperei o trem passar, pra ver se eu entendia porque os trilhos não podiam mudar os caminhos. E, novamente, surpreende. As sensações nos mistura ao mundo. O real, sempre no papel de vilão. Nosso ideal, nada mais do que fuga. Onde está, nem sempre foi o desejado, ou desejável. Só quis compreender que, tais palavras de medo, de distanciamento e, muitas vezes, tristeza, não eram vãs.
Faz sentido dizer sobre o vazio e vivenciá-lo clara e profundamente. Ninguém nos manda inflar o peito de sentimento. Ninguém ensina como faz para amar e ser amado. Muito menos, com quem dividir qualquer confissão de alegria ou prazer. Você vive. E quem está ao redor, te faz companhia. Os que ficam lá atrás, já revelaram a importância no trajeto. E quem vem segurar tua mão? Te tirar o nó na garganta? Ou zelar pelo teu cuidado no ápice da adrenalina? Veja quem acaricia, acalma e, ponderadamente, reflete o abraço de um vento úmido de verão.
Se não quer ver, não olhe. Agora, quem não quer sentir, não vive. E tudo isso é sublime demais para ser descartado assim. Mesmo quando não se quer, se aprende. Porque as maravilhas tem o mesmo peso das lições. E vamos conquistando pessoas, flores e raios de sol durante os passos. A regra é não voltar. E caso haja necessidade, que o passo seja diferente. Só não deixe o orgulho do ar expirar pela tangente.
3 comentários:
Ah, se a gente pudesse ver o potencial de cada um, a luz que há em nosso ser - o quê muitos chamam de "alma", tudo seria tão mais fácil... Ainda bem que, ao longo do trajeto, trilho pós trilho, em cada estação, encontramos pessoas que nos ajudam a desenvolver nosso eu. Cada um deles, até aqueles que consideramos mais desprezíveis, não passam em vão. Afinal, se fossem desprezíveis nem nos importariamos em desprezá-los.
Concordo e me sinto como você, minha amiga. O sentimento de pertencimento à algo (ou alguém) é difícil de ser encontrado. Mas deve ser pra lá que o trem em que estamos se destina, né? "Enquanto isso", que tal cantarmos Marisa Monte juntos? "E se pudéssemos ter a velocidade para ver tudo, assistiríamos tudo..."
Postar um comentário